Reginaldo Urbano, representante da Diocese, discursa sobre os perigos do Fracking na Assembleia Legislativa do MS

“Há muitas lacunas técnicas quando se trata do fraturamento hidráulico. A pergunta é: você assumiria esse risco em relação a seus filhos e netos? Eu certamente não.” – Juliano Bueno de Araujo, fundador da (COESUS) e coordenador de campanhas da 350.org Brasil.

O debate organizado pelo deputado Amarildo Cruz (PT) na Assembleia Legislativa do Mato Grosso do Sul nesta última segunda-feira, 16 de abril, teve como ponto de partida um projeto de lei de sua autoria, que propõe a proibição desse método de exploração de petróleo e gás no estado por dez anos. Para este debate, um dos convidados foi o representante oficial da Diocese de Umuarama para o assunto, Reginaldo Urbano Argentino, ambientalista, ativista, membro da COESUS e membro do Grupo de Trabalho para Assuntos de Mineração do Brasil da CNBB, que aceitou o convite realizado pelo Deputado Amarildo Cruz.

No ano de 2016, Reginaldo esteve presente em um dos pontos de exploração do Fracking, na Argentina, e pôde conferir de perto os estragos e malefícios causados por esta prática, tanto para a natureza, quanto para os humanos e todos os seres vivos em um raio de vários quilômetros do ponto principal de extração.

 

(Foto: Melissa Teixeira/COESUS).

Reginaldo discursando na Assembleia Legislativa do MS (Foto: Melissa Teixeira/COESUS).

 

“No ano retrasado fomos visitar a província de Neuquén, na Argentina, e não só não vimos nenhum progresso, como testemunhamos uma cidade fantasma. O que se vê são comércios fechados e casas abandonadas. Afinal, quem deseja ter como vizinho um poço de fracking? Nessa visita eu tive a infelicidade de absorver uma quantidade considerável de radiação, voltei gravemente doente e ainda estou em processo de recuperação. O fracking não afeta só a pessoa, mas toda a família. Por isso a Igreja está do lado de quem enfrenta esse mal.” – Reginaldo Urbano Argentino durante a Audiência Pública no MS em abril de 2018.

 

CAUSA DE DEFESA

A Igreja Católica, em toda a sua existência sempre defendeu e defende a vida em sua totalidade, desde sua concepção até sua morte natural e é contra todos os meios de benefícios próprios ou conjuntos, sejam eles de razões políticas, governamentais ou particulares, que venham ferir este princípio, que de forma soberba, deseja colocar os interesses de alguns, em primeiro plano, sem se preocupar com as consequências e desastres que essas escolhas possam causar, como é o caso o Fracking.

O Santo Padre Papa Francisco, na encíclica Laudato Si’, o Papa Francisco chama esse comportamento de “antropocentrismo despótico”, isto é, uma incorreta interpretação do mandamento do Criador no livro do Gênesis ao homem e mulher de “dominar a terra”. Contra esse tipo de comportamento baseado em uma razão instrumental, o Papa Francisco afirma na Encíclica Laudato Si’ que o mundo não é um problema a se resolver, mas um mistério gozoso que contemplamos na alegria e louvor (LS 12).

 

Papa Francisco no lançamento da Encíclica Laudato Si' a quase 3 anos no Vaticano (Foto: News.va)

Papa Francisco no lançamento da Encíclica Laudato Si’ a quase 3 anos no Vaticano (Foto: News.va)

 

Dentre as propostas levantadas pelo Papa Francisco nesta encíclica está o apelo a uma mudança no estilo de produção e consumo atualmente determinados pelo mercado e geradores de necessidades artificiais (LS 26;138; 191), o que João Paulo II chamou de “conversão ecológica” (Catequese do dia 17 de Janeiro de 2001) e que foi assumido nesta encíclica (LS 216-221).

No dia 04 de outubro de 2016, em anúncio conjunto com outras seis instituições católicas ao redor do mundo, a Diocese de Umuarama tornou público seu comprometimento em tornar-se uma Diocese de Baixo Carbono, aplicando uma série de medidas para reduzir o uso de energias não renováveis e, assim, as emissões de gases que causam o efeito estufa. O anúncio feito pelo Bispo Dom João Mamede, que também é membro do Grupo de Trabalho para Assuntos de Mineração do Brasil da CNBB, foi o maior do segmento religioso até o momento, e a instituição brasileira foi não só a primeira Diocese como também a primeira instituição da América Latina a aderir à campanha.

Para mais detalhes sobre o assunto e informações de como apoiar e divulgar este projeto, acesse: http://naofrackingbrasil.com.br

 

 

Publicação: Diego Fernando Jacob
Publicitário e assessor de comunicação e imprensa diocesana
Fonte da notícia: Não Fracking Brasil e Canção Nova
Fotos: Melissa Teixeira/COESUS e News.Va

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